Envolvente Mineira

Trata-se de uma região caracterizada por um Verão quente e seco, associado a um Inverno pouco chuvoso. É semidesértica, com uma envolvente drasticamente diminuída da sua riqueza natural, na sequência dos atentados ambientais cometidos por uma insensível exploração mineira.

Durante mais de cem anos laborou nesta zona uma indústria mineira extractiva (cobre e enxofre). A implementação da empresa mineira transformou completamente a paisagem das freguesias de Corte do Pinto e de Santana de Cambas.

O início da exploração (1856) e a fundação do povoado – A Mina de São Domingos – pela concessionária Mason and Barry levaram ao desenvolvimento, num curto espaço de tempo, de um extenso complexo mineiro, com bairros habitacionais para operários, quadros e administração. Foi criado equipamento escolar, religioso e recreativo.

As minas encerraram no fim da década de sessenta. A actividade extractiva cessou em 1962, ao que se seguiu o aproveitamento do remanescente, até ao ano de 1968, altura em que ocorreu o último despedimento. Sucedeu então o rápido despovoamento, uma realidade que consubstanciou uma acentuada desertificação populacional. Várias povoações desapareceram e a população emigrou para outros pontos do país e do estrangeiro.

Os artefactos mineiros degradaram-se num ritmo vertiginoso, sem que qualquer medida no sentido da preservação dos mesmos tivesse sido tomada e posta em prática. A desestruturação social foi inevitável. De aparente oásis no vasto deserto alentejano, as Minas de São Domingos passaram a ser uma referência de abandono e desalento. Esta situação originou um progressivo desenraizamento social, cultural e económico, que o encerramento da mina, na década de sessenta, desde logo precipitou.

Consequentemente, a zona da Mina de São Domingos apresenta hoje uma complexa rede de problemas que, grosso modo, se evidenciam em quatro distintos vectores: urbanístico, social, económico e cultural.

No plano social proliferam fenómenos na linha da exclusão social, evidenciando-se as situações de alcoolismo, toxicodependência, famílias disfuncionais, desemprego ou perturbações do foro psiquiátrico, aliadas à baixa coesão social verificada. Trata-se de uma comunidade profundamente estigmatizada em consequência do envelhecimento populacional e pelo abandono / alheamento de que estes lugares foram objecto após o encerramento das minas. Não escapando à regra, Montes Altos foi-se despovoando, e em finais dos anos oitenta o Monte estava ameaçado de morte lenta, parecendo já sobrar no mapa.

No entanto, há que reconhecer e valorizar algumas das mais valias que resistiram nas últimas quatro décadas de história destas comunidades e que fazem com que esta zona seja considerada um dos cenários paisagísticos mais fascinantes do Alentejo.